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9 de janeiro de 2012

Participação Política: Indispensável ou superada?

A Redação da segunda fase da Fuvest gerou certa polêmica. Muitos vestibulandos sentiram-se confusos com o tema da redação, enquanto professores de cursinhos acreditam que o tema foi bem acessível aos alunos.

Mas afinal, a participação política é indispensável ou superada?

Muitos defensores da democracia atual veem a participação política como um fator indispensável para a consolidação e manutenção desse sistema de governo. De fato a participação política plena tem grande importância nessa manutenção.

Mas vejo fatores que definem essa primazia pela participação política como algo “superado”. Talvez um termo mais adequado seria atrasado ou até mesma afobado, mas utilizarei a palavra proposta pela comissão de vestibular da FUVEST.


Mais uma vez, ao discutirmos um tema como esse, caímos na velha discussão sobre a educação do país. Como exigir uma participação política, vital para a manutenção do nosso sistema de governo “avançadíssimo”, sendo que são poucas as escolas que promovem ao menos uma pequena educação política aos seus alunos? Ao contrário, algumas escolas ainda desestimulam essa educação.

Você pode dizer que a educação política vem de casa e não da escola. Mas, se essa educação vem de casa, como supor que os pais desses jovens estão preparados para prover a educação política deles. Se voltarmos à geração dos nossos pais ou avós, veremos que a sua educação vem do período da ditadura, onde tal educação política era largamente censurada e desestimulada.

E mesmo no berço da sociedade brasileira, a educação política eficaz poucas vezes foi provida às pessoas. O primeiro sufrágio universal da história do Brasil ocorreu há pouco mais de vinte anos atrás e, mesmo após isso, aonde vimos educação política no Brasil? Quando o Partido da Imprensa Golpista fraudou um debate político entre Lula e Collor em 1989? Ou nas muitas manipulações de pesquisas que ocorrem, influenciando o voto daqueles muitos que não compreendem o seu real papel político democrático? Ou talvez nos muitos votos de “protesto” ao deputado Tiririca, garantido por aqueles que não compreenderam que no nosso sistema de eleição, não era apenas Tiririca que ganharia algo com aqueles votos?

Somos jovens em questão de democracia e ainda temos muito a aprender. Alguns defendem a obrigatoriedade da participação política como forma de prover a educação política aos poucos, confundindo o voto, que é um simples elemento da participação política, com a participação e a educação política plena.

É Óbvio que existem muitas pessoas com uma boa educação política no Brasil, causada pelo interesse político por motivos diversos, como uma semente plantada por um amigo ou a revolta com a realidade em que vive. Mas apostar nisso sem prover nenhum estímulo educacional, é como participar daqueles jogos em que o coelho tem que entrar em uma caixa sem colocar nenhuma cenoura dentro dessa caixa, sem gerar nenhum estímulo.

E, ao observar todos esses fatores apresentados, podemos nos perguntar se a FUVEST não acabou fazendo esse mesmo jogo de coelho sem estímulo, tendo como prêmio uma vaga na maior universidade brasileira, ao pedir um tema dessa profundidade em seu vestibular. Claro que a USP não pode ser culpada por querer fazer uma nivelação por cima ao definir os ocupantes das suas valiosas vagas. Mas o governo, esse sim, seria o verdadeiro culpado, ao obrigar a Universidade de São Paulo a fazer esse jogo de coelhos, não provendo uma educação política básica no país, talvez por que, se essa educação fosse provida, muitos dos políticos que lá estão jamais seriam eleitos aos seus cargos novamente.

2 comentários:

  1. excelente texto me ajudou a pensar sobre esse tema
    pois vou treinar esse tema de redação

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  2. Que texto mais lindo! Excelente mesmo, meus parabéns!

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